sábado, 17 de janeiro de 2009

Milhões de Lágrimas




A deles... A vossa, a nossa iluminara nunca mais. Clarão nefasto, robusta gravura imortal, janela traçada ao chão. De quantos sabiam, com quantos se faziam, na cinza memória jaziam trabalhos, estados, calados de susto á tarefas... Um pouco, as dobras, manobras, remexer no parecer sem destino... Estão a salvo.

Prisioneiros do paraíso. Como canção temos trovão, as matas por mistério, a chuva distração, o dia e noite pra jogar com as sombras. Mas se o sol lavou o rosto como vou fazer com as sombras? A lua boiando num aquário ilimitado, como vou fazer com o escuro? A nossa espera transforma inferno, mostra um desumano tão bonito.

Fome, os pratos!
Fogo, a caverna!
Segundo, o tempo!
Olhar, medo!
Óculos, a certeza!
Corrida, as pernas!
Passado, a lembrança!
Tédio, a volta!

A noite bem estreita, bem rápida, habilidosa, atormentada. De ouvidos num lençol sem estampa acontece a imaginação. Lá fora é Deus quem manda. S olhos já não comandam, os gritos entram num único ritmo. Castigos de um sopro encantado. Só um rosto longe se move, deixa cair mais uma gota gelada na terra impura, esboçada em disformes cadáveres, em quase um mundo, restos de um lar.

Completamente amargo, totalmente grafite quase negro. Numa mordida do céu nos sonhos, por um descuido das chaves do hoje, tudo ficou assim.
Mata de uma vez pra não ser mais só. Faz ampliar a ferida natureza pra terminar de consumir a carne. Não há palavra, escalada brutal dos vocábulos tensos. Uma mão que desaparece, a alma que ficou pela metade.

Fechar, sentir!
Passos, solidão!
Janela, dor!
Perto, ansiedade!
Paixão, eternidade!
Pudor, alegria!
Sorriso, novo!
Ruído, recomeço!

E se por acaso chegar a presença, é a intimidade. Se por acaso chegar um carinho e as palavras doces, é a mente que continua fortaleza. Se por acaso chegar um sussurro idêntico, é o desejo. Se por acaso chegar a saudade, é a verdade. Mas se por acaso chegar a vida... É mentira!



Douglas Tedesco – 18.01.2009

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Lua de Karina (série Cyndi Lauper)


Falta muito?E agora?Demora quanto?E quando que ela vai chegar?Vai demorar mais quanto?... Um tanto assim ou mais?
Eu sei que ela não vai voltar, Eu sei que nunca vais vou vê-la,Eu sei que posso sonhar todas as noites com ela,Eu sei que nunca vou encontrar uma amiga como Karina.Eu só não sabia que doía tanto não conseguir mais alcançar as suas estrelas.
Na mesma terra molhada que eu nasci, ela nasceu.Nós crescemos juntas, a sua mão foi a minha.Eu tinha mais que uma amiga, uma irmã Karina.E daí tudo a gente fazia junta, Porque com ela que eu descobri o que era amor de amigo.
A Karina aloprada, a Karina que sonhava ser fada.A Karina que brincava de escola e não fazia prova,A Karina que sentava do meu lado e apertava forte meus dedos... E dizia: “Esse ta dormindo ou tá acordado?”A Karina que me dizia sorrindo: “a gente sempre tem que se abraçar quando der vontade.” E dava-me um abraço de urso.A Karina que tomava banho de chuva atrás no quintal, e me ensinou o valor da vida.
Era duas garotas que no interior eram felizes,Que pegavam no olhar os sentimentos.A Karina que eu chorava quando me brigavam,Sua direção era sempre crescer e me mostrar o bem.E num mundo quase sem pessoas eu dava tchau na multidão.
De tudo o que ela mais gostava era brincar de sol e lua.Era muito engraçado, achava estranho, mas ela adorava mais que todas.Eu era sol, e ela lua, porque gostava de brilhar como senhora bonita.E paradinhas na calçada dançávamos como o sol e a lua a iluminar a terra.Mas nem o sol existe mais, jogou-se na escuridão.
Karina jogou sua alma fora, O pai sujou-se até os nervos e levou numa madrugada todos embora.Ela na janela do meu quarto escreveu de giz: “Te amo sol, brilha sempre ta!”E Karina saiu num jornal com o corpo coberto de um tecido branco.“Mas porque estão fazendo isso? Assim ela não consegue respirar!”E minha mãe chorando fechou o jornal e gritou pra mim ir pro quarto.
E Karina vive na minha imaginação.É tão linda como sempre foi.Nunca mais vou ver Karina... E queria tanto, tanto.Eu fico tão mais pequena e fraca quando olho pra calçada e não nos vejo lá.
Karina já é fada como sempre quis, e voa alto, alto.E eu pra lembrar-te esqueço tudo e danço na calçada todas as noitesComo se fosse o sol, porque sei que no céu tu já estás como lua, e antes de ir, te contemplo e digo pra bem alto no céu: "Te amo minha lua, brilha sempre tá!"
Douglas Tedesco – 26.11.2008

domingo, 23 de novembro de 2008

Cyndi live in Brasil 2008




Cyndi Lauper mostra como envelhecer com dignidade no palco


14/11/2008


Claudia Assef
Quando apareceu no começo dos anos 80, Cyndi Lauper encantou todo mundo com seu jeitão de punk de bufê infantil e hits tão potentes que faziam até Madonna oscilar no trono de diva pop.Ontem, quando subiu ao palco de um Via Funchal lotado, Cyndi mostrou que a idade a fez deixar os acessórios circenses que ajudaram a construir seu mito para trás. Com cabelão bem cuidado, assimétrico como antigamente, mas num loiro platinado, ela entrou para tocar para uma platéia de fãs, o que costuma facilitar a vida de qualquer artista. Mas não se acomodou com esse bônus.O show abriu com Change of Heart, Cyndi acompanhada por uma banda enxuta, assim como o palco, de cenografia zero. Ela mesma vestindo uma blusa preta com babados e calça de couro preta era a tradução da artista que veríamos ali. A entrada no palco foi ao estilo “muito louca”, que ela vendia nos anos 80. Cyndi entrou, sem música, ficou secando o público, se abaixou e deu umas pancadas no palco.Em vez de pular e jogar a cabeça de um lado pro outro, figura que se congelou no inconsciente coletivo de quem cresceu ouvindo discos como She’s So Unusual, Cyndi agora foca em ser o principal elemento musical do show.Aos 55 anos, o pique é outro. Mas a extensão vocal segue firme e muito forte. Então ela resolve atacar um de seus principais hits, She Bop, numa versão quase folk, mais lenta, ela mesma tocando violão. Funcionou.Usando um livro de português para estrangeiros, ela tentava uma comunicação com o público. Foi o único lampejo daquele jeitão desengonçado dos anos 80. “Onde está o seu cartão de embarque?”, lia, de uma página qualquer do livrinho, que a acompanhou durante boa parte do show. O público se derreteu quando finalmente ela achou uma boa: “Como vai?”. Delírio das bichas, patricinhas, metaleiros, emos, nerds e crianças que compunham uma das platéias mais heterogêneas que eu já vi.Uma lista de sucessos, a maioria com Cyndi tocando violão ou uma slide guitar, fez o Via Funchal tremer – os gritos transformaram a já dura missão de ouvir o show impossível, graças ao volume ridículo do sistema de som.Entre as clássicas, não faltaram All Through The Night, I Drove All Night, Money Changes Everything e, claro, Girls Just Wanna Have Fun, música que virou hino de tanta coisa e que ali no Via Funchal fez de miniclones da Cyndi a metaleiros darem abracinhos em grupo. Catarse.Para o bis, Cyndi voltou sem banda, apenas com sua slide guitar e tocou uma versão emocionante de True Colors. Foi o momento de “acender” o celular, mãos pra cima, um choro aqui e outro ali. A cantora terminou agradecendo muito, a essa altura já sem o livrinho na mão. A emoção coletiva deve ter subido à cabeça da Cyndi, que terminou desejando feliz Natal e prometendo voltar o ano que vem. Quer saber? Se ela voltar, estarei lá.

Entre o Universo




Mortífera Paz

Cirrculam estrelas, ultrapassam os cometas para continuar a viagem.
Astros prometem desastres, um degradê em azul eu posso chamar de lar.
Uma sonora paz que nunca termina, qual é o segredo de tantos detalhes e talentosa harmonia?
Abraça-me forte com estas fagulhas, para brilharmos em companhia como o planeta brilha! Orquestra celestial e profana, imploro-te como aos Deuses: - faz-me ninar só uma eternidade, e que de meu sono possas colher a firme resposta sem palavras.
Nos reforma pensamento célico e cético... quero num instante deixar ausente todo um mundo de entranhas desiguais.
Cuidado onde põe tuas asas, não caminhe mais entre o universo, mas vigia estes seres que não sabem de si. Cela as frestas do que chamas e gritas amor, levanta tua mão sobre nós, que vou beijar uma última vez este anel... E roubar um ponto, atrasar todo previsto mal.

Criança Guerra

Nós temos pena de suas bocas que não tem expressão maior.
Nos contorcemos pela forma como eles não vêem.
Nós não temos mais toda magia e anel pra dizer um simples sim ao desgostoso acaso.
Nós conhecemos tudo que lhe sucede, as pegadas que transcende e o final do interminável túnel.
Mesmo assim deixaram este inocente bebê sorri, e nas suas partículas de transparecer felicidade é sangue o que brota do espelho, é mais uma alma que eleva os passos, é mais um objeto a decompor-se sem compromisso...
É MAIS UMA MÃE!
É MAIS UM PAI!
É MAIS UM AMIGO!
É MAIS UMA INEXISTÊNCIA ÚNICA DE VERSOS!
É MAIS UMA PAIXÃO QUE SE RAREFAZ EM LIMITES DE SOBREVIVÊNCIA!
Não caminhe mais entre o universo! Ele te mostra tantas coisas que os olhos não suportam temer. As nostalgias da lua são inesquecíveis de se prever.
A espera vira inverno em mero inferno... Continua de olhos fechados pra não se auto-revogar.

Vazia Esperança

A flâmula identifica a vida dentre destroços, o fogo abranda corpos em abraço desumano.
Não caminhe assim tão depressa... Não conheces mais este chão.
Houve tanto, o tanto não foi em vão, do vão só nos resta as propostas.
Uma cálida mão a se levantar... E quem puder olhar, se fizer no horizonte um beija-flor
vai acompanhar esta sublime legião violeta.
Começo é bem melhor que o final... Tudo muda, nada continua igual.
As almas vão em infantaria tratar com o senhor fiel, passam por todas as caras, visitam todas as estrelas, superam todas as púrpuras dores e chegam á graça de uma verdadeira raça.
Os arcos encontram-se abertos, ultrapassem e sintam, ceiem o sabor dos santos.
Recomecem, reacreditem, e tudo voltará a ser visto, cometas e guias, um mundo que se desconhece... Mas existe luz e um brilho sem igual por nós, e por toda nossa face.

Douglas Tedesco – 23/11/2008